quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O Pequeno Príncipe



(...) "E foi então que apareceu a raposa:


- Bom dia - disse a raposa.

- Bom dia - respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.

- Eu estou aqui - disse a voz, debaixo da macieira...

- Quem és tu? - perguntou o principezinho.

- Tu és bem bonita.

- Sou uma raposa - disse a raposa.

- Vem brincar comigo - propôs o princípe

- estou tão triste...

- Eu não posso brincar contigo - disse a raposa.

- Não me cativaram ainda.

- Ah! Desculpa - disse o principezinho. Após uma reflexão, acrescentou:

- O que quer dizer "cativar"?

- Tu não és daqui - disse a raposa.

- Que procuras?

- Procuro amigos - disse.

- Que quer dizer cativar?

- É uma coisa muito esquecida - disse a raposa.

- Significa "criar laços"...

- Criar laços?

- Exatamente. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessiddade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...

Mas a raposa voltou a sua idéia:

- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música.

E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo?

Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...


A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:

- Por favor, cativa-me! - disse ela.

- Bem quisera - disse o principe - mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou - disse a raposa.

- Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!

- Os homens esqueceram a verdade - disse a raposa.

- Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.




AUTORIA: Antoine de Saint-Exupéry

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Como surgiu o rombo imobiliário americano?



Grandes financiadoras e bancos começaram a emprestar para quem não podia pagar. Comprar um imóvel ficou fácil demais. O financiamento a longo prazo saía sem muitas perguntas.

Para entender como surgiu esse rombo no sistema imobiliário dos Estados Unidos, é preciso voltar na história. É o que faz agora o repórter Ernesto Paglia.


Primeiro, caíram as torres gêmeas. Logo em seguida, despencaram os juros. Depois dos ataques terroristas de setembro de 2001 a Nova York e Washington, o governo americano precisava reativar a economia e tirar o país do desânimo. Estimulou o consumo e multiplicou o crédito com juros baixos. Funcionou, mas, no mercado imobiliário, passou do ponto. Grandes financiadoras e bancos começaram a emprestar para quem não podia pagar. Comprar um imóvel ficou fácil demais.


O financiamento a longo prazo saía sem muitas perguntas. Para compensar os juros baixos que traziam pouco retorno, muitos bancos aumentaram a rentabilidade abrindo os cofres para clientes com cadastro ruim comprar a casa própria. Gente com dívidas ou empregos instáveis, que aceitava pagar juros maiores. O chamado mercado sub-prime. Para diminuir os próprios riscos, os bancos repassaram essas dívidas a outras instituições financeiras dentro e fora dos Estados Unidos. Mundo afora, diferentes bancos ofereceram aos seus clientes investimentos escorados nas mensalidades daqueles imóveis.


O problema é que, no ano passado, as prestações começaram a subir, depois que o governo dos Estados Unidos decidiu aumentar os juros para segurar a inflação. Os clientes mais fracos, a turma do sub-prime, foram os primeiros a deixar de pagar e começou um perigoso efeito dominó. Quem emprestou para o mau pagador não recebeu e também não pagou os investidores. E os títulos negociados foram despencando sem garantia. Não havia dinheiro para mais ninguém e grandes instituições começaram a pedir água.



O governo americano ficou na difícil situação de escolher quem será socorrido e quem vai afundar. Nesta semana, o mundo todo vive sob o impacto do naufrágio do quarto maior banco de investimento americano. Ao longo dos seus mais de 150 anos de história, o poderoso banco Lehmann Brothers nunca emprestou um dólar sequer para alguém comprar casa própria. Mas essa instituição secular e respeitada, que até o ano passado ainda deu lucro, foi contaminada justamente por aqueles empréstimos imobiliários arriscados do começo dessa história.


Para o economista Luis Fernando Lopes, os bancos brasileiros não correm o mesmo risco, já que a legislação do país de uma certa forma blindou o sistema financeiro nacional. “No Brasil, a regulação do sistema financeiro, especificamente o que pode ser colocado na carteira dos bancos, é bastante rigorosa. Então o acesso que o investidor brasileiro tem a esses instrumentos, esse tipo de ativo mais problemático é muito pequeno”.

http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL762487-10406,00-COMO+SURGIU+O+ROMBO+IMOBILIARIO+AMERICANO.html


Metade



Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Por que metade de mim é o que penso
Mas a outra metede é um vulcão
Que o medo da solidão se afaste
E que o convivio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

AUTORIA:
Oswaldo Montenegro

Ser professor



Ser professor

É ter o cotidiano de se reeducar,E viver do oficio para educar.
Ser professor

É ser um devoto de fervor do saber,E um conselheiro diante dos erros.
Ser professor

É ser resignado e ter paciência,Na esperança de dias melhores.
Ser professor

É ser um incentivador de um futuro feliz,E um multiplicador de sonhos.
Ser professor

É ser um transmissor de valores,

E um modelo exemplar de bem viver.
Ser professor

É ser artista motivador da reflexão e da razão,

E ter na sua obra de arte o aprendizado.
Ser professor

É ser um grande construtor de sonhos,

E ver nos olhos do alunado um futuro feliz
Ser professor

É ser mediador do conhecimento,

E saber a ensinar a pensar no aprender.
Ser professor

É ser sacerdote de pregação da igualdade social,

E receber pouco e retribuir com muito amor.
Ser professor

É ser movido por impulsos, razões e emoções,

E ensinar um bem maior: um amar ao outro.