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sexta-feira, 20 de março de 2009

Semana dificil...salve a tranparencia!!!


Semana passada estava gripada, nesta senti dores de cabeça e dores musculares diariamente....tenho certeza que issso esta relacionado aos problemas no trabalho. Meu sonho de consumo nesta sexta é uma sessao de massagem, de pelo menos 40 minutos...
Num balanço rapido algumas situaçoes me incomodam demais:
1-aluno indisciplinado ao extremoooooooo!
2- falta de sintonia com o grupo educacional!
Em relaçao ao aluno "indisciplinado ao extremo" esta faltando puniçao severa! Consequentemente a falta de sintonia com o grupo de trabalho na escola pode aumentar tal problema!
Alguns exemplos:
a)professores que nao adotam as regras da escola no geral...
b)coordenaçao que diverge na postura ou cobrança dos deveres dos alunos
c)professores e coordenadores que nao agem em conjunto, ou seja, que nao se ajudam
d)professores que nao dao exemplo aos alunos...
e)reunioes durante o intervalo dos professores...se é intervalo esse deve ser respeitado, caso contrario o professor tem o direito de abater esse tempo em suas horas!!!!
f)falta de estrutura ou material de trabalho na escola, como livros didaticos para todos os alunos, suporte tecnologico, etc...que dificultam na execuçao do trabalho pedagogico, locomoçao e atrasos do docente em sala de aula!!!
g)professores omissos
h)Falta de transparencia em relaçao aos educadores e educandos levam aos problemas éticos, ou seja, quando ha problemas isolados, tanto com alunos, como com professores, esses em particular devem ser advertidos!!!
Sobre esse ultimo fator apresento minha especial atençao, pois procuro dar o meu melhor e se ele nao agrada que seja apontado diretamente....sou adepta ao olho no olho, nao suporto indiretas, meias palavras com duplo sentido, nem situaçoes mal resolvidas, talvez por isso tenho feito tantas intervençoes no ambito escolar.
Tais situaçoes tem me causado um grande desgaste...me sinto como se estivesse no final do ano!!!
Durmo e acordo com dores de cabeça, cansada, nao me desligo do trabalho...cade a "bendita transparencia"!!!
Procuro falar por mim e nao me preocupo em agradar ninguém, nao me calo porque nao suporto a omissao!!! Prefiro dizer o que penso em alto e bom som do que ficar pelos cantos aos cochichos!!!
mas nem isso tem possibilitado a diminuiçao das minhas dores e angustias!...nem o fim dos pesadelos!
Gosto de ser professora, mas em semanas dificeis, como estas, me pergunto se nao teria sido mais facil ser contadora contabil, analista....
By Jana

domingo, 8 de março de 2009

Brasil: de cada 5 professores 1 é temporário



As situações mais graves são as de Mato Grosso, em que 49% dos docentes não são efetivos, e de São Paulo 43%

fonte: Folha de São Paulo (20.02.2009)Angela PInho, Johanna Nublat, Larissa Guimarães e Renata Baptista

Motivo de muita crítica, o problema os professores "precários" atinge todo Brasil. O estado Mato Grosso tem situação mais grave, segundo revela levantamento feito pelo jornal Folha de São Paulo, em 23 Estados. Além disso, ao menos em outros 7 Estados, entre os quais SP, têm mais temporários que a média nacional.

São Paulo enfrenta uma crise desde que a Justiça suspendeu, no dia 4, uma prova em que cerca de 3.500 professores temporários tiraram nota zero. A prova ocorreu em dezembro.

Outros Estados têm índices piores do que a média nacional (22%): Ceará, Maranhão, Piauí, Amazonas, Acre e Espírito Santo. Amapá, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Norte não responderam à Folha. A Paraíba disse que, devido à mudança de governo, nesta semana, não conseguiria informar a tempo o número de temporários.

O excesso de temporários impede as escolas de constituírem equipes estáveis, com projetos de longo prazo, diz Romualdo Portela, professor da Faculdade de Educação da USP. Para a qualidade de ensino, diz, "é muito ruim". "E é também um professor estressado", prejudicado, segundo ele, pela falta de estabilidade.

O presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Roberto Leão, afirma que o ideal são os concursos públicos. Temporários, só "para emergências". "Isso não pode ser política estadual, como ocorre em SP, uma verdadeira aberração." Para Roberto Leão a contratação provisória não poderia ultrapassar os 5% da rede. "O concurso é a maneira justa de prover novos cargos porque não há apadrinhamento", afirmou.

A seleção de temporários nem sempre é precedida de prova. Em Goiás, Mato Grosso, Sergipe e Tocantins, a secretaria estadual ou as escolas escolhem, após análise de currículo.
Em casos mais drásticos, em que não há professores suficientes para preencher as vagas, universitários são aceitos, como em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
A insuficiência de candidatos qualificados é justamente uma das razões que explicam a contratação precária. Outra é a não-realização de concurso por período longo ou a cessão de docentes para outras funções.

Em São Paulo, disse a Secretaria da Educação, 66 mil cargos de professor efetivo são preenchidos por temporários porque 36 mil deles estão em cargos como coordenação pedagógica e 30 mil em licença.No entanto, segundo notícia publicada pelo jornal O Estado de São Paulo (20.02.2009), a Secretaria do Estado da Educação de São Paulo informou que neste ano haverá menos temporários na rede do que foi registrado em 2008. Serão 133 mil professores efetivos, já que 10 mil passaram em concurso em 2007 e estão sendo chamados. Dessa forma, seriam cerca de 90 mil temporários, índice de 40,3%. O processo de distribuição de aulas ainda está em curso no Estado.O estado de São Paulo sozinho tem um terço de todos os 300 mil profissionais nessa situação no País, segundo levantamento feito pelo referido jornal.

"Não é um índice ideal, mas o importante é que estamos diminuindo", diz a secretária estadual da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro. Em 1998, eram 174 mil temporários. Ela explica que há 36 mil efetivos fora do cargo, por afastamento ou por ocuparem funções como a de diretor, que só podem ser substituídos por temporários. "É normal São Paulo ter um número tão alto. Temos 2 milhões dos 8 milhões de alunos do ensino médio público do Brasil."

Segundo a secretária estadual da Educação de Minas, Vanessa Guimarães Pinto, a contratação desses profissionais é uma necessidade. "As demandas da população são mais dinâmicas que o processo de efetivação em concurso." Ela afirma que há cidades passando por migração populacional, cuja necessidade de professores é imediata. "Consigo construir uma escola em um ano, mas o concurso demora um ano e meio." A rede de Minas tem 3,5 milhões de alunos, 166 mil professores e é a segunda maior do País. Perde apenas para São Paulo, com 5,5 milhões de alunos e 217 mil professores.

Em Mato Grosso, o uso de temporários ocorre principalmente para completar poucas horas de aula. "Não posso fazer um concurso para um professor que trabalhará apenas cinco horas semanais", diz o secretário Ságuas Moraes Sousa. A carga horária do professor no Estado é de 30 horas (10 delas dedicadas a atividades extraclasse).

Há também situações em que a distribuição territorial da população pode influenciar. Segundo a Secretaria de Educação de Mato Grosso, há municípios com apenas uma escola estadual -e os professores não conseguem preencher todas as horas previstas em um concurso. Como as cidades são distantes, o professor é chamado para contratos temporários de menos horas de duração.O Rio de Janeiro é a exceção -mantém temporários só em educação indígena. Segundo a Secretaria de Educação, se é preciso substituir alguém, professores concursados são chamados e ganham hora-extra

domingo, 1 de março de 2009

Educaçao começa em casa



Sou professora e constantemente observo os profissionais da educaçao discutindo com preocupaçao o personagem do Zeca, seus pais, professora...

Adorei a criaçao desses personagens existentes dentro do universo chamado escola, pois ele chama a atençao para a importancia da familia na formaçao dos nossos educandos!
E o drama latente...

Indisciplina, uso de novas tecnologias fora de hora...sao problemas cada vez mais preocupantes nas escolas. Por isso acho que a autora Gloria Perez esta sendo muito perpicaz em apontar os desafios que desestimulam os jovens a ingressarem nos cursos de licenciatura, como ja foi destacado pelo proprio ministro da educaçao Haddad .Sem contar os altos indices de afastamento por depressao e traumas dos educadores.

Poucas universidades formam para essa realidade, a preocupaçao nas academias induz ou privilegia a pesquisa cientifica.

Vale destacar que a falta de limites do persongem Zeca começa em casa, se estende na escola e "pertuba" ou percorre toda sociedade. Nao faz muito tempo acompanhamos meninos com perfil semelhante deste que estupraram uma menina em SC e colocaram o video na internet; a empregada domestica que foi espancada enquanto esperava um onibus; o indio Galdino que foi queimado no dia do indio...e olha que ha outros abusos que desconhecemos.

Espero que alguns pais, como César e Ellana, se conscientizem da sua importancia no processo educacional dos seus filhos, e que em vez de jogar a culpa nos professores, dividam soluçoes, sejam presentes nas reunioes de pais, na entrega dos boletins, que visitem com frequencia a escola de seus filhos, conversem com os professores...ou seja, que participem da educaçao dos seus, pois ela começa em casa, vem de berço!
By Jana

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O lado bom do BBB

Neste inicio de ano devo agradecer a Rede Globo pela apresentaçao do Big Besteirol Brasil, pois desde que esse programa de inutilidades começou ja estou no terceiro livro.
... a principio inconscientemente, sempre que ouvia a vinheta do BBB desligava a tv e pegava um livro, agora minha leitura ja tem horario marcado, e um deles é quando inicia-se o BBB!!!
Penso que se todo brasileiro fizesse a mesma coisa a emissora nao teria mais ibope para tratar os brasileiros como imbecis...ao meu ver esse programa estimula o que ha de pior no ser humano.Se cada um cuidasse mais da sua vida o mundo seria melhor!!!
...é um circulo viciante, produçao de imbecis igual a manipulaçao de imbecis, uma conta cara para uma naçao!
Como sou otimista, o lado bom do BBB é que passei a ler mais do que antes!!! Convido a todos a experiencia, acho que vale até lavar uma louça...ta com preguiça? entao muda de canal...nao seja mais Big Bobao Brasil!!
By Jana

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Primeira semana


Em um pequeno balanço sobre a primeira semana de aula, posso dizer que alguns alunos voltaram com a corda toda, seja para estudar, como também existe aqueles que insistem em testar todas as regras...

Outro ponto a ser destacado é quantidade de alunos nas salas de aula, a superlotaçao, que muito me faz refletir sobre a qualidade no ensino, pois na atual conjuntura temos que ser super-herois para sanar tantos conflitos e necessidades que abrangem:

Como atender a duvida de cada um? E ao mesmo tempo, como transmitir prinicipios basicos de convivencia (direitos e deveres)?E aquele aluno serelepe(toda turma tem pelo menos um)?

.....seria simples apenas despejarmos o conteudo disciplinar, mas todo professor, principalmente os que trabalham com ensino fundamental, sabe que as coisas nao funcionam assim!

Era tao mais facil no banco da Universidade, quando eu idealizava, era perfeito...rsrs...nao havia imprevistos, nem crianças, jovens e adultos com problemas pessoais...é, na teoria tudo era mais facil...se bem que naquela época a satisfaçao profissional também nao existia, agora a economica é uma luta!

No que depender de mim vou tentar levar para os meus alunos o meu melhor...e que Deus me ajude!!!


By Jana

sábado, 13 de dezembro de 2008

A complicada arte de ver


Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".
Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...
O texto acima foi extraído da seção "Sinapse", jornal "Folha de S.Paulo", versão on line, publicado em 26/10/2004.
Autoria: Rubem Alves

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

CEFAPRO/ MATO GROSSO

Ontem aconteceu a primeira etapa (prova escrita) do processo seletivo para professores formadores, e o tema sorteado pela Unemat foi Formaçao de professores: abordagem teorica.
Os centros de formaçao contínua sao imprenscindiveis para o desenvolvimento dos professores, pois amplia aportes teoricos, ao mesmo tempo que auxilia na sua aplicabilidade em sala de aula.
Boa sorte a todos os candidatos!!!! Espero que a profissionalizacao na educaçao se estenda a todas as escolas do Brasil!
By Jana

sábado, 29 de novembro de 2008

Inquietaçoes de final de ano

Final de ano e muitas preocupaçoes: correçao de provas, fechamento de notas, provao final para fazer, provao para corrigir, atribuiçao de aulas (duvidas sobre quais turmas pegar, quais irao sobrar...enfim uma tortura), processo seletivo para o CEFAPRO por realizar e principalmente, inevitavelmente, ja começamos a processar uma avaliaçao ou balanço geral do ano escolar.
Particularmente, começo a sentir uma ponta de frustaçao no quesito profissional...e a me perguntar o que deu errado. (Sei que um complicador foi a greve dos professores...)
Os professores, as vezes nao tem muitas escolhas...digo sem medo que gosto de trabalhar com Ensino Médio e na Educaçao de Jovens e Adultos! Este ano pude trabalhar com estes grupos, contudo nao tive o rendimento que desejo. (Talvez um dos pontos cruciais seja o meu lado conteudista)...

é...so uma coisa é certa ta sobrando angustia e duvidas!

Espero que 2009 seja muito melhor!!!

By Jana

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Ler pouco



Jovem, eu sonhava ter uma grande biblioteca. E fui assim pela vida, comprando os livros que podia. Tive de desenvolver métodos para controlar minha voracidade, porque o dinheiro e o tempo eram poucos. Entrava na livraria, separava todos os livros que desejava comprar e, ao me aproximar do caixa, colocava-os sobre o balcão e me perguntava diante de cada um: “ Tenho necessidade imediata desse livro? Tenho outros, em casa, ainda não lidos? Posso esperar?” E assim ia pegando cada um deles e os devolvendo às prateleiras. A despeito desse método de controle cheguei a ter uma biblioteca significativa, mais do que suficiente para as minhas necessidades.
Notei, à medida em que envelhecia, uma mudança nas minhas preferências: passei a ter mais prazer na seção dos livros de arte nas livrarias. Os livros de ciência a gente lê uma vez, fica sabendo e não tem necessidade de ler de novo. Com os livros de arte acontece diferente. Cada vez que os abrimos é um encantamento novo! Creio que meu amor pelos livros de arte têm a ver com experiências infantis.
Talvez que os psicanalistas interpretem esse amor como uma manifestação neurótica de regressão. Não me incomodo. Pois, em oposição à psicanálise que considera a infância como um período de imaturidade que deve ser ultrapassado para que nos tornemos adultos, eu, inspirado por teólogos e poetas, considero a maturidade como uma doença a ser curada. Bem reza a Adélia Prado: “ Meu Deus, me dá cinco anos, me cura de ser grande…” E não pensem que isso é maluquice de poeta. Peter Berger, um sociólogo inteligente e com senso de humor, definiu “maturidade”, essa qualidade tão valorizada, como “ um estado de mente que se acomodou, ajustou-se ao status quo e abandonou os sonhos selvagens de aventura e realização…” Menino de cinco anos, eu passava horas vendo um livro da minha mãe, cheio de figuras. Lembro-me: uma delas era um prédio de dez andares com a seguinte explicação: “Nos Estados Unidos há casas de dez andares.” E havia a figura de um caçador de jacarés, e de crianças esquimós saudando a chegada do sol.
O fato é que comecei a mudar os meus gostos e chegou um momento em que, olhando para aquelas estantes cheias de livros, eu me perguntei: “Já sou velho. Terei tempo de ler todos esses livros? Eu quero ler todos esses livros?” Não, nem tenho tempo e nem quero. Então, por que guardá-los? Resolvi dar os livros que eu não amava. Compreendi, então, que não se pode falar em amor pelos livros, em geral. Um homem que diz amar todas as mulheres na verdade não ama nenhuma. Nunca se apaixonará. O mesmo vale para os livros. Assim, fui aos meus livros com a pergunta: “Você me ama?” (Acha que estou louco? É Roland Barthes que declara que o texto tem de dar provas de que me deseja. Há muitos livros que dão provas de que me odeiam. Outros me ignoram totalmente, nada querem de mim… ). “Vou querer ler você de novo?” Se as respostas eram negativas o livro era separado para ser dado.
Essa coisa de “amor universal aos livros” fez-me lembrar um texto de Nietzsche sobre o filósofo Tales de Mileto, em que ele recorda que “a palavra grega que designa o “sábio” se prende, etimologicamente, a sapio, eu saboreio, sapiens, o degustador, sisyphos, o homem de gosto mais apurado; um apurado degustar e distinguir, um significativo discernimento, constitui, pois, (…) a arte peculiar do filósofo. (…) A ciência, sem essa seleção, sem esse refinamento de gosto, precipita-se sobre tudo o que é possível saber, na cega avidez de querer conhecer a qualquer preço; enquanto o pensar filosófico está sempre no rastro das coisas dignas de serem sabidas…” E depois, no Zaratustra, ele comenta com ironia: “Mastigar e digerir tudo - essa é uma maneira suina.”
O fato é que muitos estudantes são obrigados a ler à maneira suina, mastigando e engolindo o que não desejam. Depois, é claro, vomitam tudo… Como eu já passei dessa fase, posso me entregar ao prazer de ler os livros à maneira canina. Nenhum cachorro abocanha a comida. Primeiro ele cheira. Se o nariz não disser “sim” ele não come. Faço o mesmo com os livros. Primeiro cheiro. O que procuro? O cheiro do escritor. Se não tem cheiro humano, não como. Nietzsche também cheirava primeiro. Dizia só amar os livros escritos com sangue.
Ler é um ritual antropofágico. Sabia disso Murilo Mendes quando escreveu: “No tempo em que eu não era antropófago, isto é, no tempo em que eu não devorava livros - e os livros não são homens, não contém a substância, o próprio sangue do homem?” A antropofagia não se fazia por razões alimentares. Fazia-se por razões mágicas. Quem come a carne do sacrificado se apropria das virtudes que moravam no seu corpo. Como na eucaristia cristã, que é um ritual antropofágico: “Esse pão é a minha carne, esse vinho é o meu sangue…” Cada livro é um sacramento. Cada leitura é um ritual mágico. Quem lê um livro escrito com sangue corre o risco de ficar parecido com o escritor. Já aconteceu comigo…

Autoria: Rubem Alves

domingo, 16 de novembro de 2008

Inclusao





O filme Meu nome é radio é emocionante porque eleva a solidariedade, a amizade, a educaçao, a inclusao...ao mesmo tempo que passa uma mensagem de que o preconceito e a indiferença devem ser extirpados para que possamos ser chamados de seres humanos no sentido pleno.
By Jana

sábado, 8 de novembro de 2008

Memorial de Primavera do Leste








O Instituto Memorial de Primavera do Leste/MT inicia nesta cidade um espaço reservado para pesquisa. Onde os alunos encontram fotos, leis, projetos com os seus respectivos autores.

Espero que a cidade utilize desse espaço e incentive a construçao de outros como por exemplo, quem sabe em breve, um museu.

By Jana


domingo, 2 de novembro de 2008

Palhaçada


Governadores de cinco estados entraram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal contra a lei federal que definiu mudanças no magistério e estabeleceu o piso nacional para os professores. A Adin é assinada pelos governadores do Paraná, Roberto Requião; do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius; de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira; do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli; e do Ceará, Cid Gomes.


A Adin questiona o uso da denominação “vencimento básico”, em vez de “piso salarial”. O texto da ação apresentada pelos cinco estados afirma que a Lei 11.738, que propôs as mudanças e instituiu o piso nacional de R$ 950 para 40 horas semanais, extrapolou os propósitos de regulamentar a base salarial. O vencimento básico, argumentam os estados, não contempla as gratificações, que passam a vir como horas extras. Os estados alegam que não têm orçamento para cumprir a lei.


O interessante é que o grande desperdicio economico com propaganda para governadores sao facilmente enquadraddos nos orçamentos
...espero sinceramente que no futuro bem proximo falte professor, pois como bem ja disse o Ministro da Educaçao, na atualidade, o jovem nao se sente nem um pouco estimulado a ser professor...e com razao!!!
By Jana

domingo, 26 de outubro de 2008

Conselho de uma aluna no dia dos professores



Recebi um cartao no dia dos professores muito fofo com os seguintes dizeres:


"Criticas?

Nunca se aborreça com elas.Aproveite o que elas mostram de util, cresça!

Seja sempre essa pessoa alegre e otimista que voce é...Beijos"



Obrigada Ana Paula!!! vou tentar seguir a risca!!!

Travessuras




Fico admirada com as peripécias de alguns alunos, que fazem de tudo para sairem da sala durante a aula:
apagar o quadro negro com as maos;
fazer cara de dor de barriga;
estourar caneta nas maos;
estourar caneta dentro da boca;
cutucar casca de ferida;
levar apenas um livro a biblioteca;
e vale até ir pra coordenaçao...



Caso vc seja professor ou aluno e se lembre de outras travessuras absurdas como estas fica aqui um espaço para postarem....

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Era uma vez uma escola



Era uma vez uma escola
onde trabalhava um mestre
que ensinava diferente
de tudo o que conheceste.

Em sua aula, não dizia
"nada sabes, só eu sei",
nem falava assim: "copiem
tudo isso que expliquei".

Disse que não era ele
só quem tinha que ensinar
e falou que todo mundo
tinha algo para dar.

"Ninguém educa ninguém"
Ninguém "dá" educação:
"os homens é que se educam,
um ao outro, em comunhão".

Ensinando o alfabeto
não pediu, como já vi
prá escrever "uva", "vovó",
"asa", "ema" ou "siri"

pediu prá escrever "tijolo",
"enxada", "trabalhador",
ensinou a escrever "salário",
"justiça", "direito", "amor".

Depois ele então pedia
prá falar nossa opinião
pois essas belas palavras
estavam nas nossas mãos.

Nós sentados sempre em roda
íamos tendo consciência
de que toda a teoria
de que toda a ciência

só têm valor para o mundo
se ajudam a transformar
se ajudam o homem pobre
aos problemas superar.

Naquela sala de aula
se formava todo dia
em nossa humilde cabeça
uma linda utopia

Podemos mudar o mundo!
Prá isso serve aprender!
Prá construir a sociedade
nossa enxada é o saber!

Era assim como se dava
cada aula deste mestre
e no fim não tinha nota
nem tinha prova, nem teste:

Cada um ia falando
se se sentia aprovado
porque percebia em si
como ele tinha mudado.

Tu também vais hoje à escola?
Tu também tens o teu mestre?
E tu, como te avalias
No fim de cada bimestre?

Quanto é que tu mudaste
em razão e sentimento?
O que deste tu ao mundo
com o teu conhecimento?

Não te esqueças de uma coisa:
se acaso o teu professor
não te vê como pessoa,
não procura teu valor

Se contigo nada aprende
se não pode te escutar
e apenas nas suas provas
é que podes te expressar

Se não fala de justiça
se não quer transformação
se não vê na aprendizagem
um instrumento da ação

Se ele nunca põe afeto
na sua aula exemplar
e é só ele quem escolhe
a matéria que vai dar

Fala a ele desse mestre
que acabei de te falar;
conta a ele dessa escola
onde se pode sonhar.

Quem sabe ele te escute
e juntos possam viver
a fascinante aventura
que se chama aprender.

Autoria: Andrea Cecilia Ramal

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Relojoeiros




“Os relojoeiros, ao fazer seus relógios, pensavam apenas nos relógios: queriam fazer relógios perfeitos, bonitos, obras de arte. Relojoeiros pensam em relógios. Mas os homens da ciência começaram a ter pensamentos diferentes dos pensamentos dos relojoeiros ao olhar para os relógios. Os pensamentos deles começaram a dar grande pulos, pulos enormes; pularam dos relógios para o universo. Perceberam que os relógios e o universo se pareciam. Eram máquinas análogas. O relógio era um universo pequeno. O universo era um relógio grande. E foi assim que o relógio, de objeto criado para medir horas, passou a ser, de repente, modelo do universo. Assim, para compreender o universo bastava compreender os relógios”.


(Rubem Alves)

Sobre cientistas e pescadores (As semelhanças não são mera coincidência...)




“Os pescadores-fabricantes de redes se organizaram numa confraria. Para se pertencer à confraria era necessário que o postulante soubesse tecer redes e que apresentasse, como prova de sua competência, um peixe pescado com as redes que ele mesmo tecera. Mas uma coisa estranha aconteceu. De tanto tecer redes, pescar peixes e falar sobre redes e peixes, os membros da confraria acabaram por esquecer a linguagem que os habitantes da aldeia haviam falado sempre e ainda falavam. Puseram, no seu lugar, uma linguagem apropriada às suas redes e os seus peixes, e que tinha de ser falada por todos os seus membros, sob pena de expulsão”.

(Rubem Alves)

Cozinheiro-professor








“Durante anos consecutivos, nossos professores têm aprendido teorias científicas sobre a educação, achando que é assim que se formam professores. Existe, de fato, uma ciência da educação, como também existe uma ciência do piano. Mas a ciência da educação não faz um professor, da mesma forma como o conhecimento da ciência do piano não faz um pianista. Muitos professores maravilhosos nunca estudaram as disciplinas pedagógicas. Se os alunos refutam diante da comida e se, uma vez engolida, a comida provoca vômitos e diarréia, isso não quer dizer que os processos digestivos dos alunos estejam doentes. Quer dizer que o cozinheiro-professor desconhece os segredos do sabor. A educação é uma arte. O educador é um artista. Aconselho os professores a aprender seu ofício com as cozinheiras”




(Rubem Alves)

Inteligencia





“Pensa-se, comumente, que a tarefa de um político é administrar o país: pôr a casa em ordem, construir coisas novas, consertar coisas velhas, cuidar das finanças, da saúde, da segurança, da justiça, dos meios de comunicação, incluída, inclusive, a administração dos meios de escolarização existentes, coisa sob a responsabilidade do ministério da educação. Discordo. Existe uma diferença qualitativa entre aquilo que fazem os ministérios administrativos e aquilo que o ministério da educação deve fazer. A diferença entre eles é simples. Os ministérios administrativos cuidam do hardware do país. Eles lidam com a ‘musculatura’ nacional. O ministério da educação tem a seu cuidado o software do país. Ele cuida da ‘inteligência’ nacional. Seu objetivo é fazer o povo pensar. Porque um país – ao contrário do que me ensinaram na escola – não se faz com as coisas físicas que se encontram em seu território, mas com os pensamentos de seu povo”.


(Rubem Alves)

sábado, 20 de setembro de 2008

Interpretar é compreender

Marcelo Zocchio




"Hoje vamos interpretar um poema", disse a professora de literatura. "Trata-se de um poema mínimo da extraordinária poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen", continuou. "O seu título é 'Intacta Memória'. Por favor, prestem atenção." E com essas palavras começou a leitura.

"Intacta memória —se eu chamasse
Uma por uma as coisas que adorei
Talvez que a minha vida regressasse
Vencida pelo amor com que a sonhei.
"Ela tira os olhos do livro e fala: "O que é que o autor queria dizer ao escrever esse poema?". Essa pergunta é muito importante. Ela é o início do processo de interpretação.
Na vida estamos envolvidos o tempo todo em interpretar. Um amigo diz uma coisa que a gente não entende. A gente diz logo: "O que é que você quer dizer com isso?". Aí ele diz de uma outra forma, e a gente entende.
E a interpretação, todo mundo sabe disso, é aquilo que se deve fazer com os textos que se lê. Para que sejam compreendidos. Razão por que os materiais escolares estão cheios de testes de compreensão
Interpretar é compreender.É claro que a interpretação só se aplica a textos obscuros. Se o meu amigo tivesse dito o que queria dizer de forma clara, eu não lhe teria feito a pergunta. Interpretar é acender luzes na escuridão.
Lembra-se do poema de Robert Frost, que diz: "Os bosques são belos, sombrios, fundos..."? Acesas as luzes da interpretação na escuridão dos bosques, suas sombras desaparecem. Tudo fica claro. "O que é que o autor queria dizer?"
Note: o autor queria dizer algo. Queria dizer, mas não disse. Por que será que ele não disse o que queria dizer? Só existe uma resposta: "Por incompetência lingüística". Ele queria dizer algo, mas o que saiu foi apenas um gaguejo, uma coisa que ele não queria dizer...
A interpretação, assim, se revela necessária para salvar o texto da incompetência lingüística do autor... Os poetas são incompetentes verbais. Felizmente, com o uso dos recursos das ciências da linguagem, salvamos o autor de sua confusão e o fazemos dizer o que ele realmente queria dizer. Mas, se o texto interpretado é aquilo que o autor queria dizer, por que não ficar com a interpretação e jogar o texto fora?
É claro que tudo o que eu disse é uma brincadeira verdadeira. É preciso compreender que o escritor nunca quer dizer alguma coisa. Ele simplesmente diz. O que está escrito é o que ele queria dizer. Se me perguntam "O que é que você queria dizer?", eu respondo: "Eu queria dizer o que disse. Se eu quisesse dizer outra coisa, eu teria dito outra coisa, e não aquilo que eu disse".
Estremeço quando me ameaçam com interpretações de textos meus. Escrevi uma estória com o título "O Gambá Que Não Sabia Sorrir". É a estória de um gambazinho chamado Cheiroso, que ficava pendurado pelo rabo no galho de uma árvore. Uma escola me convidou para assistir à interpretação do texto que seria feita pelas crianças. Fui com alegria. Iniciada a interpretação, eu fiquei pasmo! A interpretação começava com o gambá.
O que é que o Rubem Alves queria dizer com o gambá? Foram ao dicionário e lá encontraram: "Gambá: nome de animais marsupiais do gênero Didelphis, de hábitos noturnos, que vivem em árvores e são fedorentos. São onívoros, tendo predileção por ovos e galinhas". Seguiam descrições científicas de todos os bichos que apareciam na estória.
Fiquei a pensar: "O que é que fizeram com o meu gambá? Meu gambazinho não é um marsupial fedorento".
Octavio Paz diz que a resposta a um texto nunca deve ser uma interpretação. Deve ser um outro texto. Assim, quando um professor lê um poema para os seus alunos, deve fazer-lhes uma provocação: "O que é que esse poema lhes sugere? O que é que vocês vêem? Que imagens? Que associações?".
Assim o aluno, em vez de se entregar à duvidosa tarefa de descobrir o que o autor queria dizer, entrega-se à criativa tarefa de produzir o seu próprio texto literário.Mas há um tipo de interpretação que eu amo. É aquela que se inspira na interpretação musical. O pianista interpreta uma peça. Isso não quer dizer que ele esteja tentando dizer o que o compositor queria dizer. Ao contrário. Possuído pela partitura, ele a torna viva, transforma-a em objeto musical, tal como ele a vive na sua possessão.
Os poemas assim podem ser interpretados, transformados em gestos, em dança, em teatro, em pintura. O meu amigo Laerte Asnis transformou a minha estória "A Pipa e a Flor" num maravilhoso espetáculo teatral. Pela arte do intérprete —o Laerte, palhaço—, o texto que estava preso ao livro fica livre, ganha vida, movimento, música, humor. Com isso, a estória se apossa daqueles que assistem ao espetáculo. E o extraordinário é que todos entendem, crianças e adultos. Eu chorei na primeira vez que o vi.
O que é que a Sophia de Mello Breyner Andresen queria dizer com o seu poema? Não sei. Só sei que o seu poema faz amor comigo.

AUTORIA: RUBEM ALVES
colunista da Folha de S.Paulo