sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Para casais



Pagodinho é o malandro contra os pilantras

O sucesso de Zeca Pagodinho tem uma importância para além da música. Zeca Pagodinho lembra meu avô. Eu vivi até os 8 anos no Rocha, subúrbio perto do Méier no Rio, ao lado da casa de meu avô, que era um perfeito carioca.

Meu avô foi um belo retrato do Brasil dos anos 40/50. Era um malandro carioca - em volta dele, gravitavam o botequim, a gravata com alfinete de pérola o sapato bicolor, o cabelo com Gumex, o chapéu-palheta, o relógio de corrente, seu "Patek Phillipe" tão invejado; em volta dele ressoava a língua carioca mais pura e linda, com velhas gírias ("Essa matula do Flamengo é turuna!...").


Meu avô era orgulhoso de viver nesta cidade baldia e amada, o Rio que soava nas ondas do rádio, o Rio precário e poético, dos esfomeados malandros da Lapa, das mulheres sem malho e de seus sofrimentos românticos, entre varizes e celulite. Antes de morrer, ele me olhou, já meio lélé, e disse a frase mais linda: "É chato morrer, seu Arnaldinho, porque eu nunca mais vou à Avenida Rio Branco."


Por isso, ele me lembra o Zeca Pagodinho - ou melhor, o contrário - mas, tanto faz, porque não falo do Zeca por nostalgia não, nem por "amor às raízes" nem por um regressismo babaca a uma "autenticidade brasileira". Não é nada disso. Ele não nos traz nada "de volta".


Zeca apenas reafirmou uma música e um comportamento carioca que sempre estiveram aí e que andavam soterrados debaixo dessa montanha de superficialidades que a indústria cultural produz, transformando os sambistas em bandos de neguinhos oportunistas que dançam com sorrisinhos de puxa-sacos na TV, com bundas de mulatas voando pelos palcos.


As velhas-guardas eram "guardadas" como tesouro para nostálgicos se deliciarem. Zeca foi lá e tirou a velha-guarda do gueto e provou que a grande música popular continua a ser produzida nas periferias; só não é distribuída. Zeca revitaliza o partido alto, o samba de terreiro, a ética popular dos subúrbios e revela talentos desconhecidos que não tocavam no rádio.


Zeca se vinga e vende milhões de discos. Zeca prova que o popular pode ser profundo, uma luz nova para re-vitalizar o país.
Zeca está fazendo esse sucesso imenso não apenas pela qualidade de seu trabalho. É também porque ele traz com seu carisma, um comportamento que existe na lembrança, quase no DNA dos brasileiros. Ele traz gestos, olhares, um jeito de cantar com a voz vagamente debochada, entre desconfiada e esperta dos antigos malandros com sua sabedoria inculta de fugir do trabalho, dos "safados" (os negros que se safavam), que tinham a inteligência "crítica" da vagabundagem carioca, recusando a exploração e saindo de banda para o prazer e a "viração".


Depois do período vergonhoso dos pagodes de butique, dos "tchans" na boca-da-garrafa, Zeca Pagodinho nos trouxe o fundo de quintal do subúrbio, o cabrito do seu Benedito, trouxe a cachacinha das mesas de botequim, a cervejinha musical, trouxe o doce machismo de malandros sofrendo por "patroas" e vadias, trouxe a elegância dos homens que sabiam dos perigos da vida, das sacanagens que a policia, políticos e patrões sempre aprontaram para os poetas populares.


Vivemos hoje num tempo em que os pobres são vistos ou como criminosos ou como desgraçados. As elites acham que pobre ou morre na enchente ou mata nas ruas. Zeca coloca no ar a voz pacífica e "desgrilada" dos desvalidos, seu ritmo de viver.


Zeca traz um tempo mais calmo, uma fala e um canto mais lentos, cheios de gingas e fintas, zanzando no ritmo de viver suburbanamente, longe da velocidade infernal dos clipes, zips e zaps. Não há pressa, não há sufoco, mesmo dentro do sufoco; há uma satisfação conformada com o dia-a-dia sofrido, mas esperançoso: "é..cumpadi...tá ruim, mas vai melhorar...".


Depois de 68, (politicamente) e depois dos anos 80 (culturalmente), creio que alguma coisa essencial se havia perdido no Brasil. O malandro carioca - e tudo que ele inventou de leveza de preto forro, com o salto bailarino de escapista do "batente" - virou um pivetinho de fincaria. Nos anos 30 e 40, o malandro e sua cultura, principalmente na música popular, encarnavam a inconsciente defesa de um mundo livre, numa linhagem clara desde "o tempo do Rei".


Perdeu-se o floreio, a delicadeza de um cotidiano material pobre, mas nítido, precário, mas habitado por personagens dignas e orgulhosas de sua tradição, no meio do banzé das classes urbanas.


Depois, o malando foi substituído pelo pilantra. O simplismo da indústria cultural de massas criou um empobrecimento artístico proposital. O malandro, essa figura meio "malazartes" de nossa história tinha uma linguagem e uma ética. No início dos anos 70, o pilantra triunfa com Simonal, Carlos Imperial, duplas malemolentes como Antonio Carlos e Jocafi, Brazucas etc... Surge o malandro de "mercado", o malandro querendo descolar um lugar na sociedade do "milagre".


Os malandros tinham sumido. Zeca re-apresentou-o, hoje, nessa terra de corruptos e picaretas. O pilantra é o malandro oportunista.


Zeca com sua voz, com seu ritmo e tom, com os objetos de seu mundo nos propõe até mesmo uma mensagem política - sem pensar nisso, claro. Ele canta desconfiado dessas modernidades escrotas que nos cercam.


Ele recupera o olho-vivo, um olho no gato outro no peixe fritando, ele não se deixa enrolar, deixa a vida lhe levar, não acreditando em mumunhas de "globalização" e coisa e tal, pois sabe que está "assim de gavião" em cima de nós, dentro e fora do Brasil.


Zeca nos lembra que temos de viver o mundo de hoje, que temos o direito também de comer caviar, mas sem esquecer que não podemos tirar muita "chinfra", porque passamos séculos "vivendo na vala e pescando muçum"...


AUTORIA: Arnaldo Jabor

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Atentado ao World Trade Center e a Guerra contra o Terrorismo (11 de setembro 2001)


Desde pequenos crescemos com a idéia de que os EUA são a maior potência mundial e de uma certa forma, isso é verdade, pois passamos a maior parte do tempo ouvindo ou lendo a respeito em livros, revistas, jornais e TV.

Toda essa potência, praticamente, dita regras e tendências as quais o mundo inteiro absorve.


A nossa ilusão de que os EUA são uma nação forte e preparada para qualquer ocasião acabou no dia 11 de setembro de 2001, quando terroristas driblaram a segurança americana e protagonizaram o maior atentado que o país já sofreu. Ao todo, foram 4 aviões: dois se chocaram com as torres do World Trade Center (eram considerados dois dos maiores prédios do mundo – 110 andares - e um símbolo do poder americano), um outro avião atingiu o Pentágono e um 4º avião não chegou até o alvo previsto, pois foi abatido e caiu na Pensilvânia.


Calcula-se que na hora da tragédia cerca de 10 mil pessoas estavam no World Trade Cente

Os ataques foram planejados pela organização terrorista Al Qaeda, liderada por Osama Bin Laden, considerado o inimigo número 1 dos americanos.


Essa não foi a 1ª vez que o prédio foi alvo de um atentado. Em 1993, um caminhão contendo explosivos foi detonado ferindo e matando várias pessoas.


O atentado chocou o mundo, que parou diante seus televisores para assistir às tristes cenas.Revoltado e indignado, o presidente americano – George W. Bush – iniciou sua própria campanha contra o terrorismo. Dias depois, apoiado por vários países como Canadá e Austrália, os EUA bombardearam o Afeganistão (país que apoiava e abrigava os terroristas da Al Qaeda).Porém, com o passar do tempo, Bush não se contentou em atacar somente o Afeganistão. Para ele, o Irã, o Iraque e a Coréia do Norte faziam parte do chamado Eixo do Mal, ou seja, em seus discursos, Bush afirmava que esses países possuíam armas de destruição em massa, além de propagarem o terrorismo. Com esse discurso e algumas “provas” (que até hoje são questionadas), Bush conseguiu invadir e bombardear o Iraque.


Seu objetivo era prender Saddan Hussein (ex -presidente do Iraque que em 1990 entrou em conflito com os EUA na chamada Guerra do Golfo). Após um longa resistência, Saddan foi capturado e morto, porém a morte deste ex-ditador iraquiano não significa o fim do terror e das ameaças. O 11 de setembro preocupou não só os EUA, mas também todas as outras potências mundiais. Após a tragédia americana, diversos países ficaram atentos para possíveis ataques terroristas. Hoje, 6 anos depois, o governo americano ainda é ameaçado.


Volta e meia, Osama Bin Laden aparece fazendo discursos e ameaçando a segurança americana, por esta razão, os americanos vivem na corda bamba, sempre com medo de novos ataques. A segurança foi redobrada e hoje está mais difícil viajar para lá. O local da tragédia virou um centro turístico. As pessoas deixam flores, fazem orações e torcem para que o país não seja alvo de um novo atentado.


FONTE:"http://www.infoescola.com/modules/galleries/expandedPicture.php?pic={picture}";

Tua Caminhada



Tua caminhada ainda não terminou....A realidade te acolhe dizendo que pela frenteo horizonte da vida necessita de tuas palavrase do teu silêncio.
Se amanhã sentires saudades,lembra-te da fantasia esonha com tua próxima vitória.Vitória que todas as armas do mundojamais conseguirão obter,porque é uma vitória que surge da paze não do ressentimento.
É certo que irás encontrar situaçõestempestuosas novamente,mas haverá de ver sempreo lado bom da chuva que caie não a faceta do raio que destrói.
Tu és jovem.Atender a quem te chama é belo,lutar por quem te rejeitaé quase chegar a perfeição.A juventude precisa de sonhose se nutrir de lembranças,assim como o leito dos riosprecisa da água que rolae o coração necessita de afeto.
Não faças do amanhão sinônimo de nunca,nem o ontem te seja o mesmoque nunca mais.Teus passos ficaram.Olhes para trás...mas vá em frentepois há muitos que precisamque chegues para poderem seguir-te.

AUTORIA: Charles Chaplin

Saudade

Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa,dói morder a língua,dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade de um filho que estuda fora.
Saudade do gosto de uma fruta quenão se encontra mais.
Saudade do pai que morreu,do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais doloridaé a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, semse verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade,mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia semvê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabecomo deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungandonum ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologistacomo prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada;
se ele tem assistido às aulas de inglês,se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial;
se ela aprendeu a estacionar entre dois carros;
se ele continua preferindo Malzebier;
se ela continua preferindo suco;
se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados;
se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor;
se ele continua cantando tão bem;se ela continua detestando o MC Donald's;
se ele continua amando;
se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazercom os dias que ficaram mais compridos;
não saber como encontrar tarefasque lhe cessem o pensamento;não saber como frear as lágrimas diante de uma música;
não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.Saudade é não querer saber se ela está com outro,e ao mesmo tempo querer.É não saber se ele está feliz,e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos.
É não querer saber se ele está mais magro,se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama,e ainda assim doer...
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler.
AUTORIA: Miguel Falabella